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Autores de novela que marcaram a TV brasileira: 14 nomes e suas obras

De Janete Clair a João Emanuel Carneiro: quem escreveu as novelas que o Brasil parou para ver, com as obras principais e a marca de cada autor na TV Globo.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Arte do TV de Perto: Quem escreveu as novelas do Brasil
De Janete Clair, estreante na TV em 1964, a João Emanuel Carneiro, de Avenida Brasil. Arte: TV de Perto

Janete Clair, Dias Gomes, Gilberto Braga, Gloria Perez: por trás das novelas que pararam o Brasil há autores que escrevem capítulo a capítulo, com a história no ar.

A seleção abaixo usa os perfis do Memória Globo, o acervo oficial da emissora, e se limita à obra de cada um. Obras e anos vêm dos perfis oficiais; quando o acervo não traz o ano de uma novela, ela aparece sem data.

Quem são os autores de novela mais importantes do Brasil?

Não existe ranking oficial, mas alguns nomes aparecem em todos os marcos do gênero. A tabela reúne 14 autores e as novelas que o Memória Globo destaca na trajetória de cada um.

Autor Estreia na Globo Novelas de destaque
Janete Clair 1967 Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972), Pecado Capital, O Astro (1977), Pai Herói (1979)
Dias Gomes 1969 O Bem-Amado (1973), Roque Santeiro (1985), Mandala (1987)
Ivani Ribeiro 1982 A Viagem (1975), Mulheres de Areia (1973 e 1993), A Gata Comeu (1985)
Cassiano Gabus Mendes 1976 Anjo Mau (1976), Ti-Ti-Ti (1985), Que Rei Sou Eu? (1989)
Lauro César Muniz 1972 Escalada (1975)
Walther Negrão 1969 Top Model (1989), Tropicaliente (1994), Desejo Proibido (2007)
Gilberto Braga 1972 Escrava Isaura, Dancin' Days (1978), Vale Tudo (1988), Paraíso Tropical (2007)
Manoel Carlos 1972 Baila Comigo (1981), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003), Viver a Vida (2009)
Benedito Ruy Barbosa 1976 Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999)
Silvio de Abreu 1970 (como ator) Guerra dos Sexos (1983), Rainha da Sucata (1990), A Próxima Vítima (1995), Belíssima (2005)
Gloria Perez 1979 Explode Coração (1995), América (2005), Caminho das Índias (2009)
Aguinaldo Silva 1979 Tieta (1989), Senhora do Destino (2004), Fina Estampa (2011), Império (2014)
Walcyr Carrasco 2000 O Cravo e a Rosa (2000), Chocolate com Pimenta (2003), Amor à Vida (2013), Verdades Secretas (2015)
João Emanuel Carneiro 2000 Da Cor do Pecado (2004), A Favorita, Avenida Brasil (2012)

A estreia na Globo nem sempre é a estreia na TV. Vários nomes da lista começaram em outras emissoras, como Tupi, Excelsior, SBT e Manchete, antes de se firmar na Globo.

Janete Clair, da radionovela ao horário nobre

Janete Clair estreou na televisão em 1964, na TV Tupi, com O Acusador, depois de ver sinopses recusadas pelas emissoras. Antes disso, escreveu mais de 30 radionovelas, a maioria para a Rádio Nacional.

Chegou à Globo em 1967 para salvar uma novela em crise, Anastácia, a Mulher sem Destino. A consagração veio com Irmãos Coragem, de 1970, seu trabalho mais longo: 328 capítulos. Em Pecado Capital, segundo o acervo, ela somou realismo social ao seu estilo de melodrama.

Dias Gomes e a primeira novela em cores

O baiano Dias Gomes já era dramaturgo consagrado, autor da peça O Pagador de Promessas, quando começou na Globo, em 1969. Foi ele quem escreveu O Bem-Amado, de 1973, a primeira novela em cores do Brasil e a primeira vendida para o exterior, segundo o Memória Globo.

Em 1985, assinou Roque Santeiro com Aguinaldo Silva como coautor. A novela teve 209 capítulos na faixa das 20h30. O caminho do gênero até esse ponto está em a história da telenovela no Brasil.

Os pioneiros que vieram da Tupi e da Excelsior

Ivani Ribeiro fez sucesso na Tupi e na Excelsior antes de estrear na Globo, em 1982. Lá, reescreveu tramas próprias; Mulheres de Areia virou remake em 1993, vinte anos depois da primeira versão, e é o trabalho de maior sucesso dela na emissora, segundo o acervo.

Cassiano Gabus Mendes desenvolveu o argumento de Beto Rockfeller, novela da Tupi de 1968 escrita por Bráulio Pedroso, que trocou as histórias de época por um anti-herói urbano. Na Globo, estreou com Anjo Mau, em 1976, e teve o maior sucesso com Que Rei Sou Eu?, em 1989.

Gilberto Braga e Manoel Carlos, cronistas da cidade

Gilberto Braga começou como crítico de teatro e cinema e estreou em novela em 1974, dividindo Corrida do Ouro com Janete Clair e Lauro César Muniz. Chegou ao horário nobre em 1978 com Dancin' Days, e Vale Tudo, de 1988, está entre os sucessos que o acervo destaca.

Manoel Carlos entrou na Globo em 1972 como diretor-geral do Fantástico, e só depois se firmou como novelista. O acervo resume seu estilo: novelas ambientadas no Rio de Janeiro, com a cidade como personagem e conflitos dentro da família.

Benedito Ruy Barbosa e as sagas do campo

Benedito Ruy Barbosa estreou na Globo em 1976, com O Feijão e o Sonho, e ficou conhecido por sagas rurais e pela imigração italiana. Em 1990, escreveu Pantanal na TV Manchete; o sucesso o levou de volta à Globo para Renascer, de 1993.

Pantanal ganhou uma nova versão na Globo assinada por Bruno Luperi, neto do autor. Essa versão foi finalista do Emmy Internacional de 2023, como mostra a lista de novelas brasileiras premiadas no Emmy.

Gloria Perez e Aguinaldo Silva, os premiados

Gloria Perez entrou na Globo em 1979 e foi discípula de Janete Clair. Suas tramas costumam partir de questões sociais, e Caminho das Índias deu à Globo o primeiro Emmy de novela, em 2009.

Aguinaldo Silva foi jornalista antes da TV. Dividiu Roque Santeiro com Dias Gomes, assumiu Tieta em 1989 com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, e ganhou o Emmy Internacional por Império, novela das nove exibida entre 2014 e 2015.

Silvio de Abreu, de ator a diretor de dramaturgia

Silvio de Abreu começou como ator: estreou na Globo em 1970 atuando e escreveu a primeira novela na TV Tupi, Éramos Seis, em 1977. Na Globo, assinou de Guerra dos Sexos (1983) a A Próxima Vítima (1995) e Belíssima (2005).

Depois, assumiu a direção de Dramaturgia da Globo, cargo que ocupou até sair da empresa, em 2021. Sob essa gestão, a emissora venceu o Emmy com Império e Verdades Secretas, segundo o perfil no acervo. O caminho de uma novela da sinopse até o ar está em como é feita uma novela.

A geração que chegou nos anos 2000

Walcyr Carrasco estreou na TV no fim dos anos 1980 com Cortina de Vidro, no SBT, e escreveu Xica da Silva para a Manchete. Na Globo desde O Cravo e a Rosa, de 2000, venceu o Emmy com Verdades Secretas, novela das onze de 2015.

João Emanuel Carneiro foi roteirista de cinema e estreou como autor titular com Da Cor do Pecado, novela das sete de 2004. A Favorita foi sua primeira novela das oito, e Avenida Brasil, de 2012, superou o sucesso das anteriores.

Walther Negrão e Lauro César Muniz, os de longa carreira

Walther Negrão estreou na Globo em 1969 e escreveu, entre outras, Top Model (1989), com Antonio Calmon, e Tropicaliente (1994), gravada em Fortaleza em torno de uma colônia de pescadores.

Lauro César Muniz chegou em 1972 e fez cerca de 20 trabalhos na emissora, entre novelas, seriados e especiais. Escalada, de 1975, foi a sua primeira novela das 20h, segundo o Memória Globo. A diferença entre esses horários está em o que caracteriza cada faixa da Globo.

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